quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Como saber se você é um crente possesso?

Como é possível uma pessoa que diz crer no Deus da Bíblia estar possuída por espíritos malignos?

Como é possível uma pessoa que diz crer no Deus da Bíblia estar possuída por espíritos malignos? O bispo americano David Higginbotham, de 54 anos, com a ajuda da esposa, Evelyn, de 52, explica em detalhes essa contradição no livro “Crentes Possessos – 12 Sinais de Possessão ou Opressão”. A vida deles pode ser considerada o próprio livro, pois as experiências relatadas no decorrer das páginas dizem respeito ao engano e excesso de conhecimento distorcido de Deus, que quase destruíram a relação dos dois e têm atrasado a vida de muitos.
Em viagem missionária ao Brasil, o casal concedeu entrevista à Folha Universal e explicou a importância de deixar a religiosidade de lado para que as promessas bíblicas se concretizem por meio da fé. Confira.
De quem foi a ideia de escrever o livro?
Ele: Nós dois escrevemos a pedido do bispo Macedo. Aprendemos muito escrevendo o livro. O que mais me chocou foi que, durante a pesquisa, o bispo me pediu para ler outras obras sobre o assunto. Quando fiz isso, percebi que todos os que falavam sobre esse tema tinham falhas enormes sobre qual é realmente a vontade de Deus para o ser humano e sobre a libertação. Nós pudemos falar sobre o tema porque éramos crentes cheios de demônios. Nossa vida falava por si só.
Por que a história de vocês acabou virando um livro?
Ele: Cresci numa família em que meu pai era pastor e minha mãe missionária. Eles cuidavam dos carentes, se dedicavam ao próximo e eram ótimas pessoas. Minha mãe, porém, tinha uma dor de cabeça constante e uma irritação profunda e ninguém conseguia ajudá-la. No que diz respeito à fé, eles pediam a Deus a cura, porém faltava algo mais forte, pois não sabiam se era da vontade de Deus ou se poderia realmente acontecer a cura pela fé. Com isso, eu também passei a pensar dessa maneira e o sonho que tinha de ser pastor acabou ficando de lado, porque não queria apenas falar algo por falar, queria viver a fé, mas não sabia como. Dessa forma, acabei me tornando um crente, mas na verdade estava possesso.
Ela: A minha família tinha uma aparência perfeita de cristãos exemplares. Meu pai era pastor, cantávamos no coral, e os dois ajudavam os pobres, tanto que foram transferidos para a Coreia do Sul em missão. O que ninguém sabia, porém, era que desde quando eu tinha 2 anos, o meu pai abusava sexualmente de mim. Isso se deu até os 6, quando decidi contar para a minha mãe. Ela não acreditou em mim, pois queria manter as aparências. Eu cresci com muitas dúvidas e sozinha. Éramos crentes, mas o mal estava agindo na nossa vida, principalmente na minha saúde.
Qual a atuação do mal na sua saúde?
Ele: Eu estava cursando Quiropraxia, quando nos conhecemos na universidade e nos casamos. Eu tinha 24 anos e ela 22. Semanas depois de casados, ela começou a ter problemas nos olhos e foi diagnosticada com uma doença rara, que a deixou quase cega. Isso a impossibilitou de fazer as coisas como qualquer pessoa normal.
Ela: Eu tinha muito medo de orar pedindo a cura, porque achava que eu precisaria de uma fé forte, porque, mesmo dentro da igreja, nunca tinha visto uma cura pela fé. Eu pensava que tinha que esperar a vontade de Deus e se cobrasse as promessas seria egoísta. Então eu temia orar de forma mais intrépida, pois achava que perderia a salvação se Deus não me respondesse. Achava que poderia ser rejeitada por Ele.
Essa situação serviu de experiência para que escrevessem o livro?
Ele: Sim, com certeza. Havia uma força maligna que queria destruir a nossa vida, o nosso casamento. O pastor da igreja que eu frequentava à época até fez um estudo de cura e concluiu que era algo bíblico, porém nós não sabíamos como fazer as promessas se cumprirem. Nós líamos a Bíblia, íamos todos os domingos à igreja, mas não sabíamos como seria possível determinar a cura e muito menos que existiam demônios. Como cristãos, achávamos que era apenas uma doença e não uma influência maligna. É exatamente o que procuramos explicar no livro, dando dicas para a pessoa reconhecer se estão possessas ou não, explicando que demônios existem e que podem estar agindo na vida delas.
O que vocês fizeram para se livrar da possessão?
Ele: Em 1986, o meu pai, que era pastor nos Estados Unidos, conheceu o bispo Edir Macedo lá e decidiu vir ao Brasil assistir à reunião feita no Maracanãzinho, em que viu muitos milagres e libertação. Ele me escreveu dizendo que não imaginava que uma igreja assim existia, pois achava que tantos milagres só aconteciam na época de Jesus. Foi quando eu decidi conhecer a Universal. Na segunda vez que fui, o bispo Macedo me chamou para ser pastor. Ao ver a mudança dos meus pais e a fé prática em Deus, que realmente trazia resultados, eu pensei: era isso que eu estive esperando a minha vida inteira. Então, quando ele me convidou, sabia que era um risco, mas sabia também que não poderia falar não, pois nós queríamos uma experiência com Deus.
Ela: Foi difícil, porque eu estava quase cega e como uma esposa de pastor poderia ajudar nessas condições? O bispo Macedo abençoava a água para eu beber, fez muitas orações, nós sacrificamos, mas nada acontecia porque eu não me achava merecedora de algo. Eu precisava me livrar dos pensamentos antigos, que tinham aparência de Deus, porém não eram. Esses pensamentos só me bloqueavam. Dois anos depois, meu marido estava fazendo uma reunião quando um traficante e uma quase prostituta foram curados na hora das doenças que tinham. Naquele momento, Deus me mostrou que, apesar de eu ter sido cristã desde criança e ler a Bíblia, eu era orgulhosa, pois não estava confiando Nele como Pai, mas nos meus méritos, ao passo que eles não fizeram nada para merecer e apenas usaram a fé. Daquele momento em diante eu mudei. Determinei a minha cura. Voltei ao médico e durante um procedimento com uma lente de contato minha visão voltou. Quando eu disse isso, o médico respondeu que não era possível, pois nunca ninguém atendido por ele havia regredido desse tipo de cegueira. Com o passar do tempo, meus olhos voltaram ao normal. Hoje eu dirijo e faço tudo. Eu posso dizer que aprendi como ser curada com um traficante e uma quase prostituta.
Qual a lição que vocês tiram de todas essas experiências?
Ele: Eu aprendi que sempre tenho que ser renovado. Não posso tratar as coisas de Deus como uma rotina.
Ela: Deus é muito profundo e ninguém pode falar que O compreende perfeitamente, porque a vida está sempre nos mostrando que devemos aprender coisas novas.

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