terça-feira, 30 de setembro de 2014

Você gostaria de viver uma vida perfeita, mas virtual?

Entenda por que a internet tem sido uma válvula de escape para muitas pessoas frustradas na vida real

As redes sociais têm sido palco de diversas polêmicas pela facilidade com que os usuários veiculam opiniões e defendem seus gostos, pensamentos e estilos de vida, ao mesmo tempo que desrespeitam e ofendem quem pensa de modo contrário. Além da intolerância e agressividade gratuita dos debatedores virtuais, alguns constroem uma imagem daquilo que gostariam de viver na vida real, mas que, por diversas razões, não conseguem. Mas há algo pior: algumas pessoas acabam se viciando em manter uma vida de faz-de-conta por meio de suas páginas na rede.
É o caso do japonês Keisuke Jinushi, de 29 anos, que é solteiro na vida real, mas na virtual posta fotos com a namorada que gostaria de ter. Em sua página do Instagram, ele aparece em fotos tiradas em ângulos que sugerem a presença de uma mulher do outro lado da câmera acariciando seus cabelos, alimentando-o e abraçando-o em lugares públicos, quando, na verdade, ele está apenas segurando uma peruca ou com as unhas pintadas para fingir que se trata de uma mão feminina. Ele explica que tudo começou quando estava viajando sozinho e pensou que seria bom se estivesse acompanhado de uma namorada para que pudessem tirar uma foto juntos.
Ele ensina o passo a passo de cada foto, para que outros solitários possam criar as suas fotos com suas namoradas virtuais. Como gosta de frequentar cafés, ele se diz muito incomodado com a presença de casais. Keisuke recebe vários comentários de pessoas que dizem que o melhor seria se ele encontrasse uma namorada de verdade. Em entrevista à BBC Brasil, o rapaz afirmou que está procurando uma pretendente, mas não consegue achar. E, ao ser questionado sobre o que seus pais pensam das fotos, contou que não tem coragem de perguntar. Ainda que alegue que as imagens não passam de uma brincadeira, Keisuke mantém a página e continua a postar fotos com sua namorada virtual.
Forjar uma vida de mentira e passar a se comprometer com a manutenção de uma imagem falsa de si mesmo pode ser perigoso. Fugir da realidade por meio da internet, de vícios e atividades que só servem para procrastinar e que não resolvem o problema só vai prolongar o sofrimento. Para essas pessoas que vivem o mundo virtual e desistem do real, o que importa é a conquista de "curtidas" e comentários dos amigos na rede. A felicidade é medida pela atenção que as pessoas dão ao que elas postam e não pelo que elas, de fato, vivem na vida real.

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